#dehappyabad | modelo libriana fã de OITNB



Luísa Oliveira finalizou seu perfil no #dehappyabad, plataforma digital de relacionamento para os corações trincados, na esperança de encontrar alguém que o faça sentir algo, que faça seu coração vibrar novamente. [expectativas foram criadas] Mas é algo involuntário, o coração tem vontade própria, né?


Revisou o perfil algumas vezes, pensando se deveria alterar algo, adicionar ou excluir alguma informação. Será que a frase está criativa? O perfil realmente diz algo real sobre mim? Então, surgiu uma mensagem de SMS em seu celular, sem remetente, contendo apenas com uma frase:

Eros, cum dilectione mea cor tuum imple

Ele achou estranho, pois se não era a operadora do celular ou o banco, quem estaria enviando SMS em pleno 2020? Sem dar tanta importância, abriu sua playlist favorita e deitou, mergulhando em pensamentos diversos. Esperando algum match.


Eros, deus do amor e do erotismo, estava em um misto de ócio e reflexão quando escutou o canto entoado por um coração humano. Dos céus ele buscou a dona da melodia ritmada e, após um tempo na busca, avistou a criatura. A modelo libriana estava voltando de um rolê ouvindo R&M de Rihanna.


A divindade, quase que esquecida pela humanidade, queria ir até o humano, mas precisava ser invocada. Sendo assim, magicamente fez conexão com a tecnologia e enviou as palavras do chamado para a estudante de zootecnia, que ao ler o SMS, fez-se ponte com o ser. Eros foi até o humano e se apresentou, o que gerou susto, receio e descrença.


No entanto, passado a agitação da surpresa o diálogo ganhou espaço. O deus contou que o amor é arte, assim como a música. Que cada encontro entre as pessoas gera um sentimento que possui letra, ritmo e melodia. Desabafou ao dizer que o amor tornou-se objeto vendido e descartado com muita facilidade, em toda parte.


- Criatura, ouvi o chamado do seu coração e vim. Gostaria de conversar contigo e quem sabe ser útil ao seu coração de alguma forma. Deixe-me lhe perguntar: o que é o amor para você?

Amor é um sentimento genuíno e potente, o qual é capaz de transmutar, fundir e harmonizar os demais sentimentos. Considero-o  aflorador das nossas virtudes como, por exemplo, bondade, respeito, afeto e empatia.

- Conte-me, como foi que se apaixonastes pela primeira vez?

A primeira vez que me apaixonei tinha entre 7 e 8 anos, por uma garoto da minha sala no primário. É engraçado, que me recordar disso, depois de tanto tempo, compreendo que todos os "sintomas físicos" de estar apaixonada por alguém - confirma-se.

Eu ficava ansiosa em vê-lo, minhas mãos suavam, sentia frio na barriga, meus olhinhos brilhavam em sua companhia, ficava sem graça, em vários momentos, e se o mesmo se ausentava em um dia de aula: eu ficava triste. Além, das projeções em sonhos de vivenciar mais momentos juntos.

Imaginação muito fértil para finais felizes.

- Faço-lhe outra pergunta. Caso tenha ocorrido, de que forma descobristes o amor?

Sem  indicar quando o descobri ou mensurar  o amor parental e/ou familiar... 

Meu primeiro amor foi à mim mesma: ao me olhar atentamente, notar todos os meu detalhes físicos e mentais, e sentir orgulho da minha essência.

E segundo, descobri que amava alguém por um conjunto de sensações de bem-estar, por  apreciar os detalhes pertencentes ao jeito da pessoa e, além disso, vivenciar situações em que o meu altruísmo e respeito predominavam em pró daquela pessoa/relação.

- Fiquei intrigado. Para você, qual a diferença entre a paixão e o amor?

A paixão sempre me remete a analogia da anfetamina. Vejamos, você deseja, ingere e  consequentemente sua pupila dilata, seus batimentos cardíacos aumentam, seu corpo produz calor, excitação. Tem visões distorcidas que misturam-se com a realidade, projeções de sentimentos, sensação de bem- estar temporário, entre outros. E quando esse efeito acaba, fica a rebordosa. E ademais, lembro-me de uma definição grega, que nunca esqueço, diz mais ou menos assim: É estar submetido a algo ou alguém de maneira que não somos mais senhorxs de nós mesmos. [ Imagine aí... Deus me free! ]

O amor é superior a isto: a partir do momento que não há projeção de você sobre o outro - cobrança.  Há acolhimento e altruísmo. 

O amor é leve, transcendental e revolucionário. É capaz de evidenciar as suas virtudes para compartilhar com o próximo, mas sem exigir nada em troca. 

A diferença está na durabilidade e consistência. . - Os seres humanos são engraçados. Fiquei interessado em você e gostaria de ouvir suas histórias. Por favor, me diga uma coisa bela que aprendestes com seus relacionamentos.

Tem uma frase do livro da Ryane Leão que assemelha-se muito com o que minha mãe me aconselhava sobre relacionamentos. 

" Você vai conhecer pessoas

que vão acender seu pavio

pra te fazer brilhar

e outras pra te fazer queimar". 

Em resumo, escolha bem a pessoa que você convidará para ficar. E nunca se esqueça de quem você é. Se ame para amar o próximo.

- O amor, assim como a rosa que és linda e perfumada, também possui espinhos. Então, qual aprendizado doloroso você teve através de suas aventuras amorosas?

Sem querer, vou precisar citar mais uma referência que tenho.  A Nina Simone disse um frase que levo comigo, após ter vivenciado um momento de rompimento repetia essa frase como mantra, para não me submeter a situações de sofrimento ou remorso. E diz assim:

 "Você tem que aprender a levanta-se da mesa quando o amor já não está sendo serviço." 

Contudo, é imprescindível saber encerrar os ciclos. Amadxs reciprocidade e amor próprio são nossas chaves. . - Entendi. Quantas coisas. Agora uma brincadeira rápida: se o seu coração fosse transformado em uma criatura mágica, baseada em suas experiências com o amor, qual criatura seria e por quê?

Seria a Coruja. 

Porque é uma criatura que enxerga além da superfície: de forma intuitiva, curiosa, atenta e afim de adquirir conhecimento. Então, quando penso em como "meu coração" interage com os demais, é sempre motivado pela curiosidade de conhecer e desvendar as camadas do outro, por conseguinte, me conhecendo. Meu coração gosta de aprender e ensinar (risos). . - Eu vim conversar contigo porque vejo que o mundo mudou muito. As pessoas passaram a ver a paquera, o romance, o amor e o sexo de formas diferentes, nem sempre com verdade. Então, me diga: com tudo que você vivenciou e aprendeu com amores passados, como você se sente em relação a viver um novo amor?

Me sinto leve, consciente das minhas responsabilidades emocionais e alinhada com quem eu sou.

- Que interessante! Adorei nossa conversa e estou cheio de reflexões, mas preciso retornar. Gostaria de levar uma mensagem sua sobre o amor para outras pessoas, qual mensagem seria? O amor é LIBERTADOR. Somos livres para escolher quem queremos amar.

E parafraseando Bell Hooks, a qual tenho uma admiração e me identifico muito, diz mais ou menos assim: "Quando escolhemos amar caminhamos em direção à liberdade e a agir de formas que libertam nós e os outros. Nos movemos conta a dominação e contra a opressão". 

Acredito na potencialidade do amor.



Eros retornou aos céus e você ficou sabendo um pouco sobre as alegrias e dores que Luísa vivenciou através do amor em seus relacionamentos. Ele foi, mas como é curioso, logo irá retornar para conversar com outra pessoa sobre suas aventuras amorosas.

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